Todo mês de novembro é a mesma coisa, fabricantes oferecem descontos em suas ações comerciais, mas na prática é preciso cuidado na Black Friday automotiva
A Black Friday é mais uma tradição que o brasileiro adaptou dos Estados Unidos. Por lá, o dia após o feriado de Ação de Graças ficou famoso pelos grandes saldões, especialmente de eletrônicos. Já por aqui, como uma pizza com ketchup, ampliamos a ideia: praticamente tudo entra na promoção — de roupas a apartamentos.
No setor automotivo, não é diferente. Montadoras e concessionárias têm investido pesado nas campanhas para o período. São descontos, serviços extras e outras vantagens para atrair o consumidor. Algumas marcas chegaram a oferecer modelos eletrificados com quase 30% de desconto.
Na média, os abatimentos giram entre 10% e 15%, percentuais que podem parecer bastante atrativos. Mas é importante lembrar: comprar um carro é uma decisão muito diferente de adquirir uma TV, videogame ou celular em promoção.
Para a maioria dos brasileiros, a compra de um carro zero quilômetro vai muito além de aproveitar um desconto momentâneo. Apenas 1% da população adquire veículos novos, reflexo de uma indústria que emplaca cerca de 2 milhões de unidades por ano, mas não investe significativamente em ampliar esse mercado.
Enquanto uma TV por R$ 1,5 mil ou um PS5 por R$ 3,5 mil podem caber no orçamento com planejamento, um carro custa bem mais caro. É raro encontrar modelos zero por menos de R$ 70 mil. Além disso, muitos compradores dependem da avaliação do veículo usado para completar a negociação.
E aí mora um perigo: um desconto generoso no carro novo pode ser anulado se a concessionária oferecer uma cotação desvantajosa pelo seu veículo atual.
Outro ponto que merece atenção durante a Black Friday automotiva é o impacto da compra no início do ano seguinte. Um carro novo comprado em novembro ou dezembro já chega com IPVA cheio em janeiro — e o imposto é calculado com base no preço de um zero quilômetro.
Além disso, promoções podem esconder “desovas de estoque”. Um exemplo recente é o Equinox, da General Motors, que teve desconto de R$ 35 mil nesta Black Friday. Parece irresistível, mas a pegadinha está na chegada iminente da nova geração do SUV, prevista para dezembro. Ou seja, o desconto serve para escoar os modelos antigos.
Antes de se deixar levar pelo impulso da Black Friday e adquirir um carro como se fosse um tênis, é crucial avaliar os números com cuidado. Um negócio que parece vantajoso à primeira vista pode acabar saindo mais caro no longo prazo.
Lembre-se: montadoras e concessionárias não oferecem descontos por altruísmo, especialmente em um mercado que atende apenas uma pequena parcela da população. Avalie com calma, planeje e, acima de tudo, não se deixe enganar pela euforia do momento.
Foto principal | Marlos Ney Vudal/Autos Segredos
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