Horse desenvolve propulsor híbrido que pode reduzir drasticamente o consumo e as emissões
A Horse pode não ter grande visibilidade junto ao público brasileiro, mas está presente sob o capô de muitos modelos da Renault e da Nissan vendidos no país. Controlada por Renault, Geely e Aramco, a companhia revelou um novo projeto de motor que, segundo a empresa, pode cortar o consumo de combustível em até 40%.
Batizado de H12 Hybrid, o conjunto ainda é um conceito em desenvolvimento e nasceu de uma colaboração com a Repsol, gigante espanhola do setor petroquímico. O destaque técnico está na eficiência térmica declarada de 44,2%, índice elevado para motores desse tipo.
Nos ensaios realizados conforme o ciclo europeu WLTP, o propulsor registrou médias superiores a 30,3 km/l. De acordo com a Horse, isso representa um avanço de cerca de 40% frente ao consumo médio dos automóveis de passeio comercializados na Europa em 2023.
A empresa atribui o desempenho a um pacote de soluções técnicas que inclui taxa de compressão de 17:1, novo sistema de recirculação de gases (EGR), turbocompressor recalibrado, ignição de alta energia e um sistema híbrido com gerenciamento otimizado do fluxo de energia.
A parceria com a Repsol vai além do fornecimento de lubrificantes de baixo atrito. Os testes também foram conduzidos com combustível 100% renovável, elemento considerado estratégico para atingir os números prometidos.
Em geral, motores híbridos focados em alta eficiência térmica utilizam o ciclo Atkinson, conhecido por privilegiar economia em detrimento de potência máxima. No entanto, a Horse ainda não confirmou qual ciclo termodinâmico está sendo adotado neste projeto.
Atualmente, dois protótipos estão em fase de avaliação. A expectativa é que o primeiro veículo equipado com o novo conjunto, ainda em caráter experimental, seja apresentado no começo de 2026.
Mesmo com o avanço dos elétricos a bateria, especialmente na China, a indústria europeia segue investindo em motores a combustão altamente eficientes, seja para uso direto ou como geradores em sistemas híbridos. A justificativa é clara: segundo a própria Horse, 97% da frota em circulação na Europa ainda depende de motores térmicos, o que sustenta a necessidade de evoluir essa tecnologia enquanto a transição energética não se completa.
Foto principal: Horse/Divulgação