Configuração top de linha entrega bom desempenho e pacote de equipamentos coerente. Porém, modelo era mais atraente antes dos reajustes de preço promovidos pelo fabricante
Ainda novato no mercado de automóveis (foi lançado há sete meses), o Onix já se tornou bem conhecido da equipe do Autos Segredos. Afinal, é a terceira vez que andamos com o modelo: a primeira, ainda em 2012, foi no evento de lançamento (veja aqui) e a segunda ocorreu entre março e abril, quando avaliamos a versão LT 1.0 (veja aqui). Após o contato mais a fundo com a configuração menos potente, achamos a condução agradável, mas estávamos convictos de que um motor mais forte cairia como uma luva para ele. Já sabíamos o que nos esperava, portanto, quando aceleramos o LTZ 1.4. O propulsor de maior cilindrada proporciona mais vigor às respostas e, consequentemente, contribui para o prazer ao dirigir. Apesar das semelhanças mecânicas e do aumento relativamente pequeno na cilindrada (algumas marcas concorrentes pulam direto do 1.0 para o 1.6), a diferença de comportamento é notável.
O consumo das duas unidades do Onix que avaliamos foi bastante parecido. Na estrada, o LTZ 1.4 bebeu um pouquinho mais que o LT 1.0 (14 km/l contra 14,5 km/l). Porém, na cidade, ambos cravaram marcas em torno dos 10,5 km/l. Consideramos os números satisfatórios para a cilindrada do veículo, mas esperávamos resultados até melhores que os da versão menos potente, devido à relação de marchas mais longa. Nos dois tipos de uso, o veículo rodou vazio e com o ar-condicionado ligado durante a maior parte do tempo. Nunca é demais lembrar que o gasto de combustível é influenciado por vários fatores, entre os quais o relevo, o estilo de condução do motorista e as condições das vias, entre outros.
Quando o assunto diz respeito aos itens de segurança, o Onix traz de série, em todas as versões, airbag duplo e freios ABS. Porém, o LTZ não agrega outros equipamentos. Mesmo a versão top de linha fica devendo encosto de cabeça e cinto de três pontos para o ocupante do centro do banco traseiro. Apesar de ter projeto recente, o hatch não conta com ganchos Isofix para fixação de cadeirinhas ou auxílios eletrônicos à condução. Em frenagens, o comportamento é satisfatório, sem desvio de trajetória ou espaços exagerados até a imobilização total.
Quem assume a direção de um Onix conta com fácil acesso aos comandos e boa visualização dos instrumentos, reunidos em um quadro digital que atualmente equipa vários automóveis da Chevrolet. Embora proporcione boa leitura, o cluster peca por não disponibilizar termômetro do líquido de arrefecimento do motor. A visibilidade agrada para frente, mas o vidro traseiro de dimensões pequenas dificulta a vida na hora de olhar para trás. A falha, contudo, é parcialmente compensada pelos retrovisores externos generosos. Os faróis de parábola simples cumprem a função de modo satisfatório, sem se destacarem positivamente, tampouco negativamente. Os limpadores são do tipo flat-blade e varrem boa área. O destaque é o temporizador regulável, item incomum no segmento. A palheta do vidro traseiro é acionada automaticamente quando a ré é engatada.
No acabamento, a predominância é dos plásticos rígidos, padrão nos segmentos de entrada do mercado. Há, contudo, utilização de diferentes texturas e cores ao material, além de apliques cromados nas maçanetas e em torno dos difusores de ar, o que afasta um pouco o ar de simplicidade. Os encaixes das peças de revestimento são bons e não notamos muitas rebarbas. Os bancos da unidade avaliada eram forrados em couro, item vendido como acessório. Considerando as dimensões externas, o espaço é até bom para quatro adultos, mas um quinto ocupante se sentirá apertado, sobretudo em longos percursos, devido à altura do túnel do câmbio e à largura do banco. O porta-malas acomoda 280 litros de bagagem, valor coerente para o segmento. O vão de acesso poderia ser maior, mas o compartimento é integralmente revestimento em carpete e conta com luz de cortesia, item presente também no porta-luvas. O banco traseiro é bipartido, recurso útil quando é preciso rebater o encosto para transportar mais carga.
FICHA TÉCNICA
MOTOR
Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 8 válvulas, gasolina/etanol, 1.389 cm³ de cilindrada, 98cv (g)/106cv (e) de potência máxima a 6.000 rpm, 12,9 kgfm (g)/ 13,9 mkgf (e) de torque máximo a 4.800 rpm
TRANSMISSÃO
Tração dianteira, câmbio manual de cinco marchas
ACELERAÇÃO ATÉ 100 km/h (dado de fábrica)
10s6(g)/10s0(e)
VELOCIDADE MÁXIMA (dado de fábrica)
180(g)/180(e) km/h
DIREÇÃO
Pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica
FREIOS
Discos ventilados na dianteira, tambores na traseira, com ABS e EBD
SUSPENSÃO
Dianteira, independente, McPherson; traseira, semi-independente, eixo de torção
RODAS E PNEUS
Rodas em em liga de alumínio 5,5 x 15, pneus 185/65 R15
DIMENSÕES (metros)
Comprimento, 3,930; largura, 1,705; altura, 1,484; distância entre-eixos, 2,528
CAPACIDADES
Tanque de combustível: 54 litros; porta malas: 280 litros; carga útil (passageiros e bagagem): 422 quilos; peso: 1.067 quilos
| AVALIAÇÃO | Alexandre | Marlos |
| Desempenho (acelerações e retomadas) | 7 | 8 |
| Consumo (cidade e estrada) | 8 | 7 |
| Estabilidade | 8 | 8 |
| Freios | 7 | 7 |
| Posição de dirigir/ergonomia | 8 | 7 |
| Espaço interno | 7 | 8 |
| Porta-malas (espaço, acessibilidade e versatilidade) | 6 | 7 |
| Acabamento | 7 | 8 |
| Itens de segurança (de série e opcionais) | 7 | 9 |
| Itens de conveniência (de série e opcionais) | 8 | 9 |
| Conjunto mecânico (acerto de motor, câmbio, suspensão e direção) | 8 | 7 |
| Relação custo/benefício | 6 | 6 |
Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos