É impossível alguém minimamente ligado a carros no Brasil desconhecer um Volkswagen Fusca. Verdadeiro sucesso, com milhões de modelos fabricados e vendidos por aqui, deixou a “vida” para entrar para história duas vezes: uma em 1986 e outra em 1996, com direito a uma série especial: a Série Ouro. Nos 30 anos da segunda ‘morte’ do Fusca, contamos a história de uma das suas versões mais especiais (e disputadas).

Antes disso, é preciso contexto. É sabido que o Fusca já havia encerrado sua produção em 1986, para desagrado de muitos, com a chamada “Última Série”. Disponível nas cores Azul Stratos, Bege Flash ou Cinza Atlas, foi numerada em 850 unidades e usava o motor 1.600 com dupla carburação, e movido a álcool. Exclusiva e rara, era considerada a última chance de comprar um Fusquinha. Mas, em 1993, tudo mudou.

O Volkswagen Fusca “Itamar”: a volta dos que não foram

Volkswagen/Divulgação

Durante o governo do então presidente Itamar Franco (1992-1995), o Fusca acabou sendo relançado, a pedido do dignitário do país. Em uma tentativa de oferecer um veículo barato durante o boom do retorno dos importados, o velho besouro retornou com breves mudanças, mas o traziam mais perto da “modernidade” do final do século XX. Itens como desembaçador traseiro, volante espumado, pintura metálica e bancos e volante emprestados da linha Gol traziam um ar de modernidade ao Fusca.

Volkswagen/Divulgação

Até a mecânica, o bom e velho 1.600 boxer de dupla carburação, acabou catalisado. Mesmo com opções “luxuosas” e cores novas, o Fusca Itamar não escondia seus defeitos. Era desatualizado frente à concorrência e caro, e não emplacou como deveria. Contudo, para encerrar seu novo ciclo de vida, em 1996, a Volkswagen fez uma nova “última edição”, desta vez derradeira, chamada Série Ouro.

“Série Ouro” foi versão mais luxuosa do Fusca vendido no Brasil

Diferente das antigas “Série Especial”, “Love”, “Série Prata” e “Última Edição”, a Série Ouro usava elementos modernos para dar ao Fusca um gostinho de modernidade, desta vez a fim de encerrar de vez sua vida no Brasil. Os modelos, limitados a 1.368 unidades produzidas entre maio e junho de 1996, tinham quatro opções de cores: Vermelho Dakar (metálico, abaixo), Verde Nice (perolizado), Prata Lunar (metálico) e Branco Star (sólido).

Foto | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

Entre os itens de série do Volkswagen Fusca Série Ouro estavam faróis de milha Lucas, lanternas fumê Arteb, faróis principais Arteb H4, vidros verdes Sekurit, janelas basculantes, desembaçador do vidro traseiro, alto-falantes instalados, volante da linha Gol 1000i Plus/GLi, carpete com base de borracha, forros de porta com bolsa porta-objetos, painel de instrumentos com fundo branco e iluminação em verde, além de bancos, forros de porta e forro de teto com acabamento próprio da série especial. Um emblema circular dourado e resinado, nas laterais, identificava a versão.

Volkswagen/Divulgação

Equipado com motor 1.600 refrigerado a ar e dupla carburação, entregava 58,7 cv de potência, com câmbio manual de 4 marchas, freio a disco dianteiro e as mesmas características que o acompanharam a vida toda. Contudo, novas leis de emissões e as baixas vendas mataram o Fusca pela segunda vez, em junho de 1996. Ele “retornaria” na pele do New Beetle e do Novo Fusca outras duas vezes, mas sem o charme original de sua clássica carroceria e motor refrigerado a ar.

Foto principal: Montagem/Rodrigo Tavares/Autos Segredos