Bateria de 95 kWh da Geely reduz tempo de recarga e eleva potência a níveis inéditos; sistema mantém alta carga até estágios avançados
A Geely afirma ter atingido um novo patamar na recarga de veículos elétricos com sua arquitetura de 900V, batizada de “Energee Golden Brick”. A tecnologia foi aplicada ao sedã Lynk & Co Z10 e, segundo a marca, estabelece um novo referencial de velocidade frente aos sistemas atuais do mercado.
Nos testes divulgados, a bateria de 95 kWh apresentou desempenho superior ao de soluções concorrentes, como a “Blade” da BYD. O sistema da Geely foi capaz de ir de 10% a 70% de carga em apenas 4 minutos e 22 segundos, enquanto a rival leva cerca de cinco minutos no mesmo intervalo. Já no ciclo de 10% a 80%, o tempo registrado foi de 5 minutos e 42 segundos, atingindo quase a carga total em menos de nove minutos.
O avanço está diretamente ligado à capacidade do sistema de manter altas taxas de entrada de energia mesmo com a bateria próxima da carga completa. Durante os testes, o pico chegou a 1.100 kW, com fluxo sustentado de cerca de 350 kW até os estágios finais, um desempenho ainda raro fora de aplicações experimentais.

Apesar dos números impressionantes, a adoção em larga escala ainda depende da expansão da infraestrutura compatível. A própria Geely avança na instalação de estações de alta potência, mas a cobertura ainda é mais limitada do que a rede da BYD, que já possui maior capilaridade em seu mercado doméstico.
Além disso, especialistas levantam dúvidas sobre os efeitos dessa estratégia no longo prazo. Markus Fallböhmer, responsável pela área de baterias da BMW, alerta que priorizar recargas extremamente rápidas pode trazer consequências como maior desgaste das células, aumento de custos e possíveis impactos na autonomia e na segurança dos veículos.
O avanço tecnológico, portanto, reforça a disputa entre fabricantes, mas também evidencia o equilíbrio delicado entre desempenho, durabilidade e viabilidade prática na próxima geração de elétricos.
Foto principal: Lynk&Co/Diulgação




