Montadora cancela projetos e perde participação de mercado; reformas internas tentam acelerar resposta da Honda
A Honda vive um momento delicado em sua operação na China, mercado que por anos foi um dos principais pilares de rentabilidade da companhia. Após uma visita a fornecedores locais, o CEO Toshihiro Mibe reconheceu a dificuldade de competir com o ritmo da indústria chinesa, destacando a velocidade de desenvolvimento, que pode colocar novos veículos nas ruas em cerca de dois anos.
Esse cenário já provoca impactos diretos nas decisões estratégicas da marca. Projetos considerados importantes foram interrompidos, incluindo dois modelos elétricos e o retorno do Acura RSX. Até iniciativas mais recentes, como a linha Afeela, desenvolvida em parceria com a Sony, tiveram seu cronograma afetado.

Os números reforçam a gravidade da situação. As vendas da Honda na China caíram de 1,62 milhão de unidades em 2020 para cerca de 640 mil em 2025, enquanto fábricas operam com aproximadamente metade da capacidade, abaixo do nível considerado sustentável financeiramente.
Como resposta, a empresa iniciou uma reestruturação interna em sua área de pesquisa e desenvolvimento, buscando dar mais autonomia aos engenheiros e acelerar processos decisórios. Ainda assim, o desafio vai além da própria Honda. Executivos como Jim Farley, da Ford, e Koji Sato, da Toyota, já alertaram para o impacto estrutural do avanço chinês sobre a indústria global.
Na Europa, o cenário segue a mesma tendência. Enquanto grupos como BYD e SAIC ampliam presença e já se aproximam de 2% do mercado, a Honda recuou para cerca de 0,5% de participação. A retração é preocupante e retrata a situação do momento da marca no país asiático.
O que antes era visto como uma ameaça distante agora se consolida como um fator central na transformação da indústria automotiva em 2026, com as fabricantes chinesas assumindo protagonismo e forçando concorrentes tradicionais a acelerar mudanças profundas em suas estratégias.
Foto principal: Honda/Divulgação




