Talvez nem todos estejam sabendo dos problemas do Toyota Corolla nacional. Por isso irei reproduzir aqui duas matérias publicadas no jornal Estado de Minas. Caso alguém tenha alguma informação sobre mais casos ou já passou pelo problema entrem em contato pelo e-mail marlos.vidal@gmail.com.
Até,
Marlos Ney Vidal
Corolla nacional é um perigo
Daniel Camargos e Sandra Kiefer
A relação entre a Toyota e os consumidores brasileiros é bem diferente da que a empresa tem com os consumidores de outros países. Enquanto nos EUA, Europa e China problemas com o acelerador são suficientes para paralisar produção e fazer o recall de milhões de veículos, no Brasil já existem quatro casos de consumidores que passaram aperto com o carro acelerado, mas a Toyota insiste em dizer que não é caso de chamar os clientes para substituir a peça com problema. Nos quatro casos relatados, a montadora respondeu para os consumidores que o problema é o tapete, que se enroscou com o pedal do acelerador, porém nenhum deles concordou com a versão oficial.
Niarley de Pinho só parou o carro com muita força, mas sentiu cãibra pelo esforço
Fontes da Toyota admitem que analisaram alguns modelos e que o problema do carro no Brasil é motivado pela fixação do tapete. Esse, aliás, foi o motivo do primeiro recall da maior fabricante de automóveis do mundo, que há três meses determinou a troca dos tapetes em 4,2 milhões de carros nos EUA. Porém, isso não foi suficiente e nesta semana outro recall foi anunciado, desta vez envolvendo mais 2,3 milhões de veículos por problemas no acelerador eletrônico (sendo que 1,7 milhão deles já constavam na primeira lista) nos EUA, e logo depois anunciou a suspensão de oito modelos: RAV4, Corolla, Matrix, Avalon, Camry, Highlander, Tundra e Sequoia. Logo depois anunciou o recall de 1,8 milhão de unidades para Europa e 75,5 mil unidades para a China.
Já no Brasil, surgem relatos de pessoas que passaram por situações muito arriscadas com o Corolla. Ontem, o Estado de Minas publicou o relato da médica Maria do Carmo Barros de Melo, que entrou em alta velocidade na Avenida do Contorno, mas que, por sorte, estava vazia. Como o carro é automático, ela conseguiu parar colocando no neutro e depois desligando na chave. O problema foi relatado para a Toyota como sendo do tapete, o que foi contestado por Maria do Carmo. Para agravar a situação e aumentar a sensação de insegurança dos proprietários do Corolla, a Toyota informou que esse foi o primeiro caso, o que não é verdade, já que outros já haviam sido informados ao fabricante.
João Sena já passou aperto três vezes e quer formar um grupo para forçar o recall
Como o caso do médico cirurgião Niarley de Pinho Tavares, que tinha acabado de fazer uma cirurgia e estava indo de Guanhães para Sabinópolis. “Era quase meia-noite, a estrada cheia de curvas fechadas. Como eu nunca tinha tido um carro automático, pensei que o erro fosse meu quando o carro começou a acelerar e o pedal travou. Além disso, o freio endureceu e tive que usar muita força para conseguir apertar o pedal para controlar o carro. Foi quando tive a ideia de colocar no neutro e consegui parar”, relata Niarley. O médico lembra que chegou a ficar com cãibra na perna por causa da força empregada no pedal de freio e a primeira atitude foi chamar um reboque e levar o carro à concessionária. Na revenda Osaka, de Ipatinga, no Vale do Aço, a resposta que obteve foi que a culpa era do tapete, que se enroscou com o acelerador. Niarley não concorda, pois disse que teria percebido depois do ocorrido que a sensação que teve é que o pedal endureceu e nada houve com o tapete. Consultada, a Toyota informou que o carro de Niarley foi inspecionado e que a presilha do tapete estava solta.
No último domingo, o administrador de empresa João Sena, 31 anos, passou sufoco dirigindo o Corolla na estrada, voltando do Rio de Janeiro. “Eu estava a 140 km/h e o acelerador travou. Na hora, eu enfiei o pé por trás do pedal e puxei. A sorte é que já tinha descido a Serra de Petrópolis e estava no retão, na parte boa da rodovia”, conta. Segundo ele, é a terceira vez que ocorre o problema com o carro automático, com apenas 20 mil quilômetros rodados. “Eu já sabia como proceder porque não tinha sido a primeira vez, mas meu coração disparou porque minha mãe estava no carro”, completa.
Sena está disposto a montar um grupo de donos de Corolla irritados com o que ele chama de falta de interesse da montadora japonesa em fazer o recall no Brasil, assim como ocorreu nos Estados Unidos, Europa e China. “Engraçado é que eles mandam fazer o recall por lá e não se preocupam com a vida das pessoas por aqui”, afirma. No ano passado, logo que ocorreu o travamento do acelerador pela primeira vez, João levou o carro imediatamente à concessionária Kawaii, abrindo um protocolo. “Na época, eles disseram que era o tapete. Não dei importância”, afirma Sena, lembrando que o tapete é original da fábrica.
Outro caso é da leitora Daniela Moreira Meira Lima, de Natal (RN), que enviou e-mail: “Em maio de 2009, havia acabado de comprar meu carro e, quando trafegava numa avenida movimentada, o carro disparou, não obedecendo aos meus comandos. Tive sorte, pois no momento eu era a primeira da fila parada no sinal, nem havia pedestres na minha frente. O carro começou a acelerar, eu freava e o freio não pegava. Puxei o freio de mão e a velocidade aumentou. Precisei jogá-lo em cima do canteiro central, depois de quase arrancar o freio de mão. Só aí ele desacelerou, oportunidade que tive para abrir a porta e sair, temendo o pior. Chamei um guincho, que o levou à concessionária. A Toyota do Brasil me ligou demonstrando interesse e preocupação. Depois de dois dias sua área técnica informou-me que o acelerador estava preso pelo tapete, o que não procede, pois tentei puxar a peça com o pé na hora do ocorrido e não obtive êxito”.
PEÇA O fabricante do problemático acelerador eletrônico da Toyota nos EUA é a CTS, com planta no estado de Indiana. Além de fornecer para Toyota, a CTS fornece para o Ford Transit chinês, que também teve a produção suspensa. Além da Ford, a CTS produz para veículos da Honda. De acordo com a Toyota do Brasil, o Corolla, único carro fabricado na planta da marca em Idaiatuba (SP), tem índice de nacionalização de 80%, mas o acelerador eletrônico é fabricado no Brasil, pela japonesa Denso, com sede em Pindamonhangaba (SP).
ORIENTAÇÃO Consultado como cliente, funcionário de uma concessionária Toyota enviou e-mail para a reportagem com a orientação que o gerente passou aos funcionários. No e-mail, uma série de matérias veiculadas em diferentes jornais e a informação: “Se forem questionados por algum cliente, diga que estes recalls não estão válidos no Brasil.” E, se o cliente insistir, oriente-o a entrar no site da Toyota e buscar informações sobre recall”.
MegaRecall – Donos de Corolla assustados
Daniel Camargos
O imenso problema com os carros da Toyota, que se divide em dois recalls pelo mundo (leia quadro abaixo), coloca a vida de milhões de pessoas em risco, mas parece não alertar subsidiária brasileira. Depois de o Estado de Minas divulgar quatro relatos de pessoas que perderam o controle do Corolla, com o acelerador disparando, em situações idênticas às que motivam as ações nos Estados Unidos, Europa e China, a fábrica permanece sem fazer qualquer esclarecimento aos consumidores brasileiros. Aos relatos publicados na última edição do Veículos, soma-se um mais grave, em que o Corolla teve perda total e que os dois airbags chegaram a disparar.
A vítima do Corolla descontrolado foi a bancária Patrícia Correa, que passou um grande apuro em 16 de outubro do ano passado. Ela desceu do carro para abrir o portão da garagem do prédio em que mora, no Bairro Luxemburgo, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, e quando retornou perdeu o controle: “Lembro-me de um barulho de aceleração muito forte. Não conseguia controlar o carro. A garagem do o meu prédio tem dois andares, o G1 e o G2. Se eu fosse para o G1, poderia bater na mureta e cair de um altura de 50m. Desci para o G2 e bati em uma pilastra pequena e somente assim consegui parar”, relata Patrícia.
Imagem do Corolla depois do acidente na garagem do prédio
Patrícia diz que pisou com tanta força no freio que até hoje, meses depois, sente dor no tornozelo. Chegou inclusive a procurar tratamento no Hospital Madre Tereza. À época, Patrícia não procurou a Toyota. Ela conta que conversou com o marido e decidiram apenas acionar o seguro. “Fiquei satisfeita, pois não aconteceu nada mais sério comigo. Mas hoje, vendo essa série de notícias envolvendo problemas no acelerador do Corolla vejo que é importante fazer o alerta, pois pessoas podem morrer”, afirma.
A bancária diz não ser capaz de lembrar se o pedal se prendeu ao tapete ou ficou agarrado. A sensação que ela teve foi a seguinte: “Eu pisava no freio e o carro não parava, além de ouvir o motor em rotação muito alta”. Ela comprou o Corolla em dezembro de 2008, já modelo 2009, uma versão com câmbio automático. O carro teve perda total. O orçamento do conserto foi de R$ 53 mil. Ela ainda não recebeu o pagamento do sinistro, mas comprou outro carro. “Ainda bem que não comprei um Corolla. Se tivesse comprado, não teria coragem de dirigi-lo diante de todas essas notícias”, afirma.
A princípio, a Toyota do Brasil informou que tinha conhecimento apenas de um caso. Porém, quando outras histórias surgiram, o fabricante foi consultado novamente e disse ter acompanhado os casos em que o acelerador agarrou, pois o tapete não estava bem fixado. Em nenhum momento cogitou-se um recall para o mercado nacional. A justificativa é que o fabricante do acelerador eletrônico é a japonesa Denso, que usa um sistema com uma mola, diferentemente do sistema de duas molas da norte-americana CTS.
Solução
No início da semana, a Toyota apresentou a solução para o problema do acelerador que agarra, o que motivou o segundo recall. Uma barra de aço de reforço no acelerador será instalada para tentar solucionar um dos defeitos (ver ilustração). Sobre o problema do tapete já havia sido anunciado o remédio: um mais fino. Até os carros serem equipados com o novo dispositivo, as vendas estão suspensas nos EUA.
Prejuízo
Analistas financeiros avaliam que o impacto do megarrecall nas contas da Toyota é, por enquanto, de US$ 1 bilhão, mas pode ser muito maior, levando-se em conta as ações que a marca terá que implementar para recuperar a imagem. Os oito modelos que tiveram a produção suspensa nos EUA correspondem a 60% da capacidade da fábrica japonesa no mercado americano.
Outras marcas
O Grupo PSA (Peugeot/Citroën) anunciou recall de 97 mil veículos da Peugeot 107 e Citroën C1 na Europa, que são produzidos em uma fábrica da República Tcheca e compartilham componentes com a Toyota, no caso o acelerador eletrônico da CTS. Na unidade também é montado o Toyota Aygo. Além da PSA, a Ford já havia anunciado recall da Transit chinesa pelo mesmo problema.
Entenda o caso
Agosto de 2009
Quatro pessoas morrem quando um Lexus perde o controle nos EUA.
Setembro de 2009
Toyota convoca 3,8 milhões de veículos para substituir o tapete, apontado como responsável por prender o acelerador em diversos modelos da marca.
21 de janeiro
Toyota convoca 2,3 milhões de veículos, dizendo que a causa da aceleração descontrolada também pode ser o pedal que agarra no fundo. Desses, 1,8 milhão já havia sido convocado para a ação do tapete
26 de janeiro
Toyota suspende a venda de oito modelos até encontrar a solução. São eles: Corolla, RAV4, Camry, Matrix, Avalon, Highlander, Tundra e Sequoia.
28 de janeiro
Mais 1,1 milhão de veículos no recall do tapete que agarra.
29 de janeiro
Recall anunciado para 1,8 milhão de veículos na Europa.
31 de janeiro
Toyota apresenta solução para o pedal problemático.
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