Especialistas e estudos de segurança veicular apontam que a posição central reduz o risco de lesões, principalmente em impactos laterais; segurança pode aumentar em 24%
Por Eduardo Passos
No debate sobre a segurança automotiva infantil, é consenso: o lugar de criança é no banco de trás. No entanto, uma análise mais detalhada revela que nem todos os pontos do banco traseiro oferecem o mesmo nível de proteção.
Especialistas e órgãos de segurança de tráfego, nacionais e internacionais, agora vêm dizendo que o assento do meio é o melhor lugar para a instalação de cadeirinhas e assentos de elevação.

Por quê?
A principal razão é a física: o assento central é o ponto mais distante de qualquer zona de impacto em caso de colisão lateral — um dos tipos de acidente mais perigosos e associados a lesões graves. Enquanto um passageiro posicionado próximo à porta está vulnerável à intrusão direta da estrutura do veículo, a criança no assento central beneficia-se de uma “zona de proteção” significativamente maior de ambos os lados.
Um estudo publicado na revista Pediatrics, da Academia Americana de Pediatria (AAP), analisou padrões de assentos e risco de lesão e concluiu de forma incisiva: “Crianças sentadas no assento traseiro central têm um risco 43% menor de lesão do que aquelas sentadas em qualquer um dos assentos traseiros laterais.”
Dados nacionais corroboram essa vantagem: segundo Flavio Adura, diretor científico da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), o simples ato de transportar a criança no centro do banco traseiro pode aumentar em 24% a segurança do menor, em comparação com as posições laterais.
Nosso editor, Marlos Ney Vidal, questionou a engenharia da Volkswagen sobre os pontos de fixação ISOFIX ficarem sempre nos bancos laterais, já que o central é mais recomendado. Um dos engenheiros da marca afirmou que o fabricante já estuda o uso da fixação ISOFIX no assento central.
Sempre atrás
Embora a preferência pela posição central seja clara, o mais importante é manter a criança no banco traseiro, mesmo se for necessário levá-la nos assentos da janela.
O Insurance Institute for Highway Safety (IIHS) — uma das principais organizações de pesquisa em segurança veicular dos Estados Unidos — destaca que acomodar crianças no banco de trás reduz o risco de lesão fatal em cerca de 75% para crianças de até 3 anos e quase pela metade para crianças de 4 a 8 anos. O risco de ferimentos graves causados pelo acionamento do airbag frontal do passageiro — projetado para um adulto — é praticamente eliminado.
Paradoxalmente, o próprio IIHS identificou uma lacuna na evolução da segurança veicular que torna a escolha do assento central ainda mais crítica. Em um comunicado recente anunciando novos padrões de testes para 2025, o instituto observou que, ao longo dos anos, os fabricantes de automóveis concentraram muitas das tecnologias avançadas de segurança — como pré-tensores e limitadores de carga nos cintos de segurança — nos bancos dianteiros.
Isso criou um cenário em que, em alguns tipos de colisão frontal, o risco de lesões para passageiros do banco traseiro (mesmo com cinto) pode ser relativamente maior do que para os ocupantes da frente. Mesmo assim, a entidade reforça que “o banco traseiro continua sendo o local mais seguro para crianças menores de 13 anos”.
Exceções: carros antigos ou cheios
O diretor científico da Abramet, Flavio Adura, também detalhou, em entrevista à Agência Brasil, as raras exceções à regra do banco traseiro, orientando os pais em casos específicos, como veículos antigos sem cinto de três pontos atrás ou quando não há espaço.
“Nessas situações [em que a criança precisa ir na frente, como em veículos com o banco traseiro já ocupado por outras crianças], o dispositivo de segurança apropriado para a idade deve ser mantido, o airbag do passageiro da frente deve ser desligado e o banco deve ser ajustado o máximo possível para trás.”
Adura ainda lembrou a orientação para veículos fabricados antes de 1988, que frequentemente não possuem cinto de três pontos no banco de trás:
“A orientação é transportar a criança no banco da frente, onde o cinto de três pontos está disponível, utilizando o dispositivo apropriado para a idade e mantendo as orientações de desligar o airbag e recuar o banco o máximo possível.”
Com informações da Agência Brasil
Arte | Autos Segredos
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