Após crise envolvendo motores PureTech, Stellantis reformula estratégia técnica e adota soluções consideradas mais duráveis para conter falhas e desgaste de imagem
A Stellantis iniciou um processo de descontinuação dos motores que utilizam correia dentada imersa em óleo, solução aplicada sobretudo nos blocos 1.0 e 1.2 da linha PureTech. A decisão foi motivada por recorrentes falhas registradas principalmente na Europa, onde milhares de proprietários enfrentaram problemas ligados à durabilidade do conjunto.
O ponto crítico estava no próprio sistema de acionamento do comando de válvulas. A correia, trabalhando dentro do óleo do motor, sofria desgaste prematuro e liberava partículas que contaminavam o lubrificante. Esse material podia comprometer itens vitais, como a bomba de óleo, provocando desde perda de desempenho até danos severos no motor.
Embora o projeto previsse uma vida útil próxima de 240 mil quilômetros, a realidade mostrou um cenário bem diferente. Em diversos casos, a substituição tornou-se necessária com cerca de 60 mil quilômetros rodados ou poucos anos de uso, elevando despesas de manutenção e ampliando a insatisfação dos consumidores.
Para conter o desgaste à imagem da marca, o grupo adotou medidas como extensão de garantia, programas de ressarcimento e, em alguns mercados, a retirada do nome PureTech das versões afetadas. Agora, a mudança estrutural envolve a adoção de propulsores equipados com corrente metálica no comando, como os da família Firefly, cuja durabilidade é projetada para acompanhar a vida útil do motor.
A correia banhada a óleo havia sido concebida para reduzir atrito interno, melhorar a eficiência energética e diminuir ruídos. Na prática, porém, o sistema se mostrou extremamente dependente da qualidade do óleo e das condições de uso, fatores que aceleravam o desgaste e ampliavam o risco de falhas mecânicas.
Foto principal: Stellantis/Divulgação





